quarta-feira, 29 de julho de 2009

O pé na bunda virtual que virou obra de arte

Tinha preparado um outro texto para essa semana, mas como o post da Fabi ("E-mail bomba") foi bastante comentado, resolvi pegar uma carona nele e escrever sobre o mais famoso pé na bunda virtual - o que a artista plástica francesa Sophie Calle levou do escritor francês Gregóire Bouillier, em 2004.
Para quem não sabe, o namoro de Sophie e Gregóire terminou com um E-MAIL enviado por ele e cuja última frase era: "Cuide de você" (em francês, "Prenez soin de Vous"). Você pensou: "cachorro!"? Porque foi isso que pensei antes de ler mil matérias sobre o assunto (inclusive o próprio e-mail traduzido) e de assistir a uma palestra com o casal na FLIP (a Festa Literária Internacional de Paraty). Daí, comecei a mudar um pouco de ideia e a formar minha opinião.
Sophie foi pega de surpresa (será?) e, não sabendo como responder ao e-mail (você saberia?), resolveu transformá-lo em arte. Distribuiu a carta virtual a 107 mulheres, entre amigas e desconhecidas (atriz, jornalista, psicanalista, taróloga, criminologista, dançarina etc.) e pediu que elas interpretassem e comentassem o texto. O resultado é a exposição "Cuide de Você", que está em cartaz no Sesc Pompeia, em São Paulo, até 07 de setembro (Rua Clélia, 93, Pompeia; de terça a sábado, das 10h às 21h. Domingos e feriados, das 10h às 20h) e poderá ser visto no MAM da Bahia, em Salvador (Av. do Contorno, s/nº, Solar do Unhão), de 22 de setembro a 22 de novembro.
Mas vamos ao e-mail, que você pode ler em http://vejasaopaulo.abril.com.br/red/170609/carta-sophie.html Terminar por e-mail pode não ser a coisa mais educada e honesta, mas, às vezes, pode ser o único jeito. Na palestra da FLIP, Sophie me pareceu meio maluca. O que pensar de uma mulher que a cada aniversário convida o número de pessoas correspondente a sua idade e mais um para o ano seguinte? Por exemplo, quando completou 37 anos convidou 36 amigos e pediu para que um deles levasse alguém que ela não conhecesse, que representaria a idade que ela estava fazendo (esse alguém foi Gregóire). E de uma mulher que não abre os seus presentes, guardando-os embrulhados em uma vitrine para abrir quando se sentir sozinha? E que enviou a sua cama por SEDEX para um homem que lhe escreveu dizendo que queria dormir na cama dela?
Depois da palestra em Paraty fiquei pensando se Gregóire não havia tentado terminar com ela pessoalmente e não conseguiu. Depois, li uma entrevista com ele na revista Marie Claire de junho e ele disse exatamente isso, que tentou lhe telefonar, mas ela "fugiu" da conversa. O jeito foi deixar o término registrado por escrito.
Não estou aqui defendendo Gregóire. De jeito nenhum. O e-mail dele é daqueles bem típicos, em que o homem coloca a culpa nele (do tipo "você é muito para mim"). O problema não era Sophie, era ele que não conseguia ser fiel... Um dos trechos diz: "aconteça o que acontecer saiba que nunca deixarei de amar você da maneira que sempre amei desde que nos conhecemos, e esse amor se estenderá em mim e, tenho certeza, jamais morrerá" (que amor é esse? Você ama, mas não quer ficar junto?)
Bom, só quis comentar essa história aqui no blog para mostrar que cada caso é um caso e que os homens não são sempre os culpados de tudo (existem muitas mulheres péssimas também). O próprio Gregóire disse que aceitou o convite para a FLIP para "mostrar que não cometeu todos os erros".
Eu poderia simplesmente pegar o e-mail e ser a 108ª mulher a colocar Gregóire como o vilão, sem averiguar qual o papel da Sophie nessa história. Mas o que tentamos fazer nesse blog é contar histórias, nas quais o comportamento masculino (no nosso ponto de vista) é desprezível. Portanto, histórias positivas e bonitinhas, e aquelas em que as mulheres contribuem para que os homens tenham certas atitudes, serão deixadas de lado, pelo menos por mim.

sábado, 25 de julho de 2009

E-mail bomba

O fim de qualquer relacionamento não é nada fácil. Tanto homens quanto mulheres têm todo o direito de romper quando não há mais amor, mas convenhamos que o momento merece uma conversa sincera e cara a cara. Infelizmente, não foi o que aconteceu com a nossa leitora Gabriela, 27 anos. Ela nos enviou um e-mail contando o fim trágico do seu namoro.

Gabriela e Renato, 27, namoravam há 5 anos quando ele recebeu uma proposta para trabalhar na Europa. Gabriela pensou que seria o fim da relação, mas Renato estava convencido de que o namoro poderia continuar se ela fosse morar com ele. Feliz da vida, a moça concordou. Como ela estava estudando para o exame de qualificação de doutorado, Renato partiu antes.

Mesmo nas nuvens, Gabriela sentia que alguma coisa errada estava acontecendo. Até que resolveu perguntar para o namorado se ele realmente estava disposto a dividir o mesmo teto com ela. A resposta? "Preciso pensar".

Como a distância impedia que o papo fosse pessoalmente, Gabriela ficou esperando um telefonema ou uma conversa pelo computador com a câmera ligada. Mas, a única coisa que ela recebeu foi um E-MAIL. Sem dar explicações ou justificativas, ele disse: "Acho melhor terminarmos". Covarde! Inconformada, Gabriela insistiu para saber os motivos, mas só depois de alguns dias, escutou: "Quero ficar um tempo sozinho para curtir os amigos". (Os personagens mudam, mas a história é sempre a mesma. Quando chega o momento de construir uma vida a dois, os homens simplesmente pulam fora. Ops! Precisam pensar, têm mil e uma dúvidas, querem curtir a vida mais um pouco, se acham novos, enfim uma infinidade de desculpas. CINCO anos de namoro não foram suficientes para ele pensar???)

Um mês depois, Renato mandou outro e-mail para a ex, mas desta vez, era para contar as novidades. Uma delas era que ele viria para o Brasil acompanhado da NOVA namorada. Como "bom" moço, ele queria apresentá-la aos amigos e à família. A cara de pau dele foi além. Renato contou para a ex que conheceu a atual no mesmo final de semana que eles terminaram. (Será?) E, por fim, convidou-a para almoçar quando ele chegasse ao Brasil.

Final da história: Passados TRÊS meses do término, Renato já estava noivo da nova namorada e CASOU um ano e meio depois. (Quem exatamente disse que precisava pensar, queria ficar sozinho e tinha que curtir os amigos? Como diz a Mel, é necessário um dicionário para entender cada palavra do sexo oposto. Aliás, o problema é que eles desconhecem o significado da palavra SINCERIDADE)

Leitoras, façam como a Gabriela e mandem as suas histórias para eutambemduvido@gmail.com
Ah fiquem tranquilas que os nomes reais serão preservados.

quarta-feira, 22 de julho de 2009

O príncipe virou um sapo

Laura estava animada! Seu encontro com o jornalista Carlos, um ex-colega de faculdade, tinha tudo para ser perfeito. Um quarteto de cordas austríaco no Teatro Municipal era o programa dos sonhos. Estava tão feliz que nem se importou em pagar R$200 pelo convite.
Uma semana antes do tão esperado dia, Carlos ligou e propôs que se encontrassem no Teatro (Como assim ele não iria buscá-la?). Ao desligar o telefone, um pouco decepcionada, sentia que seu dia de princesa tinha perdido um pouco do brilho.
No sábado, estava linda em seu vestido verde! (Merecia que um gentleman viesse buscá-la em casa, esperasse do lado de fora do carro e abrisse a porta para ela. Mas como nem tudo é perfeito...). Após se perder pelas ruas do centro da cidade, enfim chegou ao teatro. Carlos já estava lhe esperando... Ele e um AMIGO, que carregava uma mochila (?). Como estava alguns minutos atrasada, sugeriu que entrassem. Foi quando Carlos lhe informou que ela teria que entrar sozinha porque ele e o amigo ainda não tinham convite. Iriam esperar a apresentação começar para comprar os ingressos que sobrassem e que costumam ser vendidos a R$10. (Vocês se lembram de quanto Laura pagou? Só para refrescar a memória, R$200).
Irritada, deixou a dupla dinâmica lá fora e entrou. Minutos depois, Carlos apareceu e sentou-se EXATAMENTE ao seu lado (por R$190 a menos). A partir desse momento, Laura não se lembra de mais nada. O teto poderia ter desabado que ela não perceberia. Só conseguia pensar: "Burra, Burra, Burra".
Ao final, Laura inventou uma desculpa e foi embora para casa. Seu encontro perfeito se tranformara em pesadelo e, em vez de uma história romântica, tinha mais uma bizarra para contar às amigas.
Depois de vários convites (sempre para concertos) negados por Laura, Carlos se tocou e sumiu. Só reapareceu quatro anos depois. E adivinhem pra quê? Claro! Para convidar Laura para um concerto! Laura não havia se esquecido da catástrofe que fora seu último encontro com Carlos, mas resolveu lhe dar uma nova chance. Quem sabe após tanto tempo ele não estaria mais cavalheiro? (Façam suas apostas).
Novamente marcaram de se encontrar na porta do teatro (Bom, tenho uma amiga que diria: "poxa, vai ver que ele não tem carro").
Mais uma vez Laura escolheu um vestido lindo, clássico, e foi ao encontro do sapo Carlos, com a esperança de que ele virasse um príncipe. Ao chegar, lá estava ele e o MESMO amigo, novamente carregando uma mochila (seria a mesma?). Após esse déjà vu, Laura ficou surpresa ao ver nas mãos de Carlos DOIS convites. Sim, ele comprou o dela (mas preciso informar que dessa vez os preços eram populares e a entrada custava R$7,50, porque eram estudantes). Laura agradeceu, feliz pelo cavalheirismo, mas a alegria durou pouco, porque logo Carlos respondeu: "Tudo bem, depois você me paga um café". Não, não foi uma brincadeira. Após o concerto foram mesmo tomar um cafezinho e na hora de pagar a conta, Carlos abriu a carteira e disse: "Não tenho um centavo". Laura pagou os R$5 (ainda devia R$2,50, já que o ingresso custou R$7,50) e foi embora para SEMPRE da vida do sapo jornalista.

segunda-feira, 20 de julho de 2009

É dando que se recebe? - FINAL

Apesar de a história (para os que não leram – CONFIRAM o post original mais abaixo...) não ter registrado muitos comentários oficiais aqui no blog, fora dele muitas pessoas ficaram curiosíssimas em saber se:

1. Realmente essa história tinha acontecido de verdade com alguém; (SIM!)
2. O cara foi mesmo tão sacana a ponto de insinuar que Suzana fosse uma “profissional do sexo”; (SIM!)
3. O que aconteceu depois daquela cena BIZARRA... Afinal, o que foi que Suzana fez?

A verdade é:

Ele realmente abriu a carteira assim que percebeu que Suzana estava dando o fora! (porque dentro é que num ia "dar" mais nada mesmo... afe!) E, foi por conta dessa atitude ABSURDA de Reginaldo, que Suzana não ficou para conferir se alguma das alternativas iriam se confirmar... Ou seja, ela nem se deu (desculpem o trocadilho mais uma vez, mas neste caso, ainda bem!) ao trabalho de perguntar se seria a alternativa B ou a C...

Tá bom, eu explico melhor: as duas únicas certezas que tenho é que ela não saiu de lá 50 reais “mais rica”, mas, pelo menos, também não precisou pagar a conta do motel...

O diálogo final se resumiu a isso:

Reginaldo: - Vai mesmo [embora]?
Suzana: - Claro!
Reginaldo: - Que pena...
(pena de quem? Só se for da coitada da xoxota que passou a noite desprotegida correndo um risco de pegar um resfriado...)

Ele volta pra cama e literalmente CAI NO SONO e começa a roncar!
E Suzana (simplesmente!?) saiu de lá agradecendo aos céus por terem evitado que ela cometesse um assassinato no motel – “numa história digna de Nelson Rodrigues”.

Apesar de ter pensado nas três alternativas, sinto muito leitoras, não há uma a ser confirmada. Ficou apenas a sensação de que pudesse ser uma das três e, convenhamos, toda a situação e a atitude do cara a fez imaginá-las!


A resposta do título: Se é dando que se recebe? Nesse caso, valem interpretações...
1. A ideia original de Suzana era essa: uma noite de puro sexo e prazer, bem recompensada para ambas as partes e nada mais. Ou seja, ela daria e receberia prazer, não dinheiro, qualé mané?
2. Dar uma de “homem” (esclarecendo: “sair à caça”), nem sempre parece uma opção viável e com final feliz para o sexo feminino. Ou seja, damos apenas com a cabeça na parede e recebemos uma bela de uma dor na consciência no dia seguinte...
3. A última análise que coloco aqui é justamente essa questão machista que não vem somente dos homens. Implícita na nossa bagagem, educação e valores, até mesmo, nós mulheres, julgamos a situação como propícia para que o tal Mané do Reginaldo pensasse que Suzana só poderia ser puta, depois de uma noite como aquela... (até mesmo Suzana pensou assim)


Por isso, agora, sou eu que pergunto:

Por que é que a gente não pode querer e ter o direito a DAR e RECEBER uma noite de sexo casual, apenas para “resolver” uma necessidade sem que sejamos julgadas como “vagabundas”?


P.S. Azar dos Reginaldos que existem por aí... Vale muito mais uma Suzana bem resolvida e determinada a não se intimidar com uma bizarrice dessa...

sábado, 18 de julho de 2009

Se arrependimento matasse...

Paula, 31 anos, conheceu Fred, 32, por meio de um amigo em comum. Foi em uma balada que os dois trocaram o primeiro beijo. Desde então, Fred se mostrou interessado pela moça. Mandava mil mensagens no celular, levou flores quando foi assistir filme na casa dela, deu presente de aniversário e continuaram saindo com frequência durante dois meses.

Nesse período, ele dormiu duas vezes na casa dela, mas eles NÃO transaram. Claro que isso gerou várias DR´s. Enquanto Paula dizia que tinha o seu tempo, mas no fundo tinha medo de se arrepender, Fred se mostrava compreensivo e PARECIA tentar entendê-la.

Até que num sábado, Paula convidou Fred para mais uma sessão cinema na casa dela, mas desta vez com direito a jantar. Ele ficou de pensar e responder mais tarde. O problema é que Fred simplesmente sumiu e só reapareceu no domingo à noite. Questionado sobre o cano, ele disse:"Achei que você tivesse convidado só por convidar".

Bom, nem preciso dizer que ele SUMIU na segunda, terça e quarta-feira. Só reapareceu na quinta porque a turma (Paula já fazia parte dela) trocou e-mails para combinar a balada de sexta. Ele respondeu que antes de confirmar presença, precisava conversar com uma OUTRA turma que veio visitá-lo.

Paula e os "velhos" amigos foram para um bar (Fred nem deu as caras) e depois foram para a balada. Dez minutos depois, eis que surge Fred com a NOVA turma composta por simplesmente 4 MULHERES. (Leitora, respire fundo para não ter um ataque cardíaco porque a história piora)

O tão romântico Fred olhou para Paula e a cumprimentou com um beijo no ROSTO. Mas, fez questão de, na frente da "ex", beijar na BOCA uma das novas amiguinhas. A balada mal tinha começado, Paula pegou a bolsa e foi embora.

No domingo, o canalha teve a cara de pau de ligar para Paula para pedir desculpas, dizer que estava apaixonado por ela, mas não era correspondido e muito blá, blá, blá. Ele teve a capacidade de discursar durante uma hora e meia, mas Paula não cedeu. (Claro que ele transou com a "amiga" que foi visitá-lo).